sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

ACTA Nº 5

Era o dia 29 de Maio de 1993. Pelas 19h20 o herói deu o último retoque no cabelo, vestiu o impermeável e despediu-se da mulher com a seguinte frase: “Não esperes por mim, não sei a que horas volto”, deixando-a lavada em lágrimas. Estacionou o carro a 20 metros do “Brasileira”. Levantou 10 contos no Multibanco e dirigiu-se á porta da entrada. Já lá estavam as duas, a Ausenda e a Anita, as duas primeiras dos 3 A’s. “Merda”, pensou ele. “Para que raio escolheram uma mesa de 2 lugares se vamos ser pelo menos meia dúzia?” Na outra ponta do café estavam já os R.I.’s 83-87, que incluem alguns exemplares de 83-88 e que curiosamente marcaram um jantar de curso para o mesmo dia e local. A Miguel, organizadora da Reunião, foi a 4ª a aparecer, depois de já lá ter estado primeiro. A Myléne foi a seguinte, exibindo de imediato a sua nova condição de mulher casada. Seguiram-se o Sérgio, a Aurea, Beta e Jorge e o Carneiro. A Teresa era esperada mas falhou.
O jantar foi na Adega Transmontana. A escolha da ementa revelou-se um momento de extrema emoção: Posta á Mirandesa para todos! “Cambada de carneiros!”, pensou o herói, “isto sem ofensa para o dito cujo, que até foi dos primeiros a escolher”.
A Ausenda, vítima de duas crises de vesícula, pediu água, a Aurea partilhou uma cerveja com o herói, com a consequente vontade deste partilhar algo mais, e do sorriso malandro e interessado desta, e todos os outros beberam vinho, com destaque para a Myléne que ao mesmo tempo bebia água das pedras.
O herói propôs um voto de louvor ao ultimato da Miguel que foi o mais original e com mais tempo de antecedência de todos os que se realizaram até hoje. Este voto foi aprovado por unanimidade.
O Sérgio, já sob o efeito do verde branco, virou um copo sobre a Myléne, que conseguiu salvar o casaco após meia hora de esfreganço. Além disso, o Sérgio foi alvo de um protesto geral por ter passado o jantar a reclamar com tudo e com nada.
A sobremesa deixou todos desconfiados. Seria do congelador? Seria do cozinheiro? A verdade é que todos pareciam vomitado de bebe, menos o do Carneiro que parecia vomitado de bebé com morangos e o da Ausenda que parecia um cagalhão largado por uma vaca e pisado por um porco, segundo palavras da própria. A laranja do Jorge era boa e no final todos pararam tudo.
A Aurea insistiu em deixar na Acta que tinha partilhado com o herói o último pedaço de carne, no mesmo prato e com o mesmo garfo.
O Sérgio protagonizou o momento original da noite. Distribuiu posters com a caricatura de cada um para preencher uma espécie de censo em que cada um declarou o seu status actual. No final ficou a sensação de que tinha dado mais trabalho do que o que valeu. É claro que na frente todos disseram ao Sérgio que tinha sido uma ideia giríssima. Sabe-se lá o que disseram por trás.
1.800$00 pelo jantar! Se isto continua assim daqui a uns anos estamos a comer de graça. Brilhante!
Foi lido o poema do Raúl e da Cristina que chegou por fax.
Por tradição foi sugerido que se sorteasse democraticamente a Isabel como a próxima organizadora deste encontro. O sorriso cruel da Miguel recelou que a vingança é um prato que se come frio.

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