segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Encontro do 40º aniversário do inicio de tudo - Ata

No mês de Outubro do ano da graça de 1984, era Mário Soares primeiro-ministro do governo do Bloco Central, Ramalho Eanes o Presidente da República, e faltava ainda quase um ano para Portugal assinar o Tratado de Adesão à Comunidade Económica Europeia, vinte e tal rapazes e raparigas, quase ainda meninos e meninas, cheios de esperança no futuro e alegria de viver, encontraram-se no Complexo do Castelo, em Braga, para dar inicio ao seu percurso como estudantes do Curso de Relações Internacionais, ramo Cultural e Político, na Universidade do Minho. Não sabemos como terá sido com outros cursos e com outros estudantes, mas, no nosso caso, foi amor à primeira vista.

40 anos depois, conforme tínhamos decidido no encontro do ano passado, em que comemoramos 35 anos da nossa licenciatura, voltamos a encontrar-nos, para celebrarmos mais uma vez a nossa amizade, e a alegria que sentimos cada vez que estamos juntos. Fónix, até me vieram lágrimajaujolhos (como se diz com o sotaque de Braga)!!!

Para cumprir o preceito quase religioso que estes momentos já assumem, o encontro foi na Brasileira, às 19h00. Alguns tentaram destruir antecipadamente o ambiente de alegria e concórdia, com risco de levarem ao cancelamento do evento, perguntando ao organizador onde seria o encontro, a que horas e até, absurdo dos absurdos, onde seria o jantar. Este, mostrando a cepa de que é feito, não se deixou abalar, respondendo secamente à Cristina, Raúl, e Angelina, que era no Brasileira, às 19h000 e o jantar seria num restaurante. Que seja a última vez que me fazem essa pergunta pois na próxima podem correr risco de vida!

Num dia bonito de sol e temperatura primaveril, o Ginho e o Carneiro foram os primeiros a chegar, com 15 minutos de antecedência, tendo aproveitado o tempo para admirar a arquitetura do centro de Braga ainda com luz solar, já que os encontros anteriores, nos últimos anos, têm sido em novembro, quando às 19h00 já é noite fechada. A Filomena chegou logo depois, seguindo-se o Jorge e a Beta, que estranhamente ainda são um casal, a Cristina, a Miguel e a Angelina, a grande surpresa deste encontro, pois já não aparecia praí há 30 anos, e por fim o Raúl, que já nem teve tempo de se sentar, pois estava na hora de andar para o restaurante. Antes, porém, tiramos uma foto de grupo, em frente às galerias do “Castelo”, que foi a nossa base durante os 4 anos do Curso. Uma turista espanhola, tornada voluntária à força, foi a fotógrafa, no que se revelou uma escolha desastrosa pois das 2 fotos, ambas desfocadas, só se aproveitou uma e mal. Não haja dúvida que de Espanha nem bom vento, nem bom casamento, nem boas fotos. Coño!!!

Apesar de não ser essa a intenção, por coincidência, em dia de jogo da seleção de Portugal, o restaurante escolhido para o jantar, o Diana, na rua com o nome mais bonito de todas as de Braga, a rua Afonso Henriques, estava decorado com camisolas de futebolistas portugueses, sendo a que coroava a nossa mesa, exatamente a do CR7, assinada pelo próprio, pelo que o Ginho se colocou imediatamente no lugar debaixo dela, para que não restassem dúvidas de quem é o GOAT deste grupo. Ainda fomos dando uma espreitadela ao jogo que estava a dar na televisão, e que, para não destoar da chiqueza do restaurante, estava dentro de uma moldura dourada.


Curiosamente, a mesa dividiu-se em duas: do lado esquerdo todos quiseram peixe, do direito todos quiseram carne, e o Jorge, que estava numa das cabeceiras, armado em fino e especial de corrida, pediu bacalhau, que, como sabemos, não é carne nem peixe. O vinho da casa, tanto o branco como o tinto, era excelente, pelo que todos ficaram logo muito animados, já que no Brasileira, sinal dos tempos, ninguém pediu álcool, tendo as escolhas variado entre café, água, sprite e cola zero (mariquices!). A Angelina, apesar dos anos de ausência, não se mostrou inibida, tendo tentado dirigir o trabalho dos empregados de mesa e as doses recomendadas de cada prato, insistindo para que não nos trouxessem muita comida, que nos fazia mal e podia engordar, e até para que não substituíssem os pratos depois das entradas, que não era preciso, que estavam ainda limpos. Foi bem-sucedida no primeiro caso, pois no final comemos praticamente tudo o que trouxeram para a mesa, o que quer dizer que alguém pode ter ficado com fome, mas não conseguiu os seus intentos no segundo caso, pois todos tivemos direito a novos pratos lavadinhos. Na sobremesa, a unanimidade foi ainda maior, com a maioria a pedir pudim abade de priscos, o Raúl mousse de maracujá, e o Jorge a teimar em ser diferente, pedindo já nem sei o quê, que não sou obrigado a decorar tudo ao pormenor, que a minha vida não é isto e eu tenho muitas outras coisas em que pensar. A Angelina não quis sobremesa, que disse que já estava cheia e comer muito faz mal.

Durante o jantar a Angelina foi de opinião que a nossa forma de contacto, através do Facebook, não é a mais eficiente e que um grupo no WhatsApp seria muito melhor, pois é mais direto, rápido e funcional. O Ginho, que está sempre pronto a apoiar e adotar as boas ideias, tratou de imediato de criar o grupo, que entrou em funcionamento ainda durante o jantar (fica assim reposta a verdade sobre de quem foi a ideia de criar o grupo, ouviste ó Beta?!).



Depois de engonharmos o mais possível no restaurante, já que a conversa estava animadíssima, tivemos vergonha e pedimos a conta, que foi até bastante suave (também, com a pouca quantidade de comida que a Angelina fez com que nos trouxessem…). Como de costume, quisemos ir para algum lado terminar a noite a beber uns copos, mas, também como de costume, ninguém sabia onde, pois já não temos idade para conhecer a night bracarense. Depois de cirandarmos um bocado pela zona da Sé, de boca aberta com a movida atual, lá conseguimos encontrar um bar com espaço suficiente no interior, pois as esplanadas estavam todas cheias. Entre cerveja, gin, licor beirão e chazinho, a conversa continuou animada, com a Filomena a dar-nos a sua morada, com a informação de que em casa também tinha chá, algum vinho, e bolo de chocolate congelado. Tentamos várias vezes que ela fosse à frente para pôr o bolo a descongelar, que nós iriamos lá ter de seguida, mas como ela não se mexeu do sítio, tivemos que acabar a noite onde estávamos, até que a Angelina decidiu que estava na hora de ir para a cama, pois estar a pé até muito tarde faz mal à saúde. Nos 15 ou 20 minutos seguintes todos nos fomos levantando e assim terminou mais um fabuloso encontro.





Quando saímos, caía uma chuva miudinha (não tenho a certeza se não tinha já parado, mas esta frase fica muito gira), e as lágrimas de felicidade e emoção que nos faziam brilhar os olhos deixavam a certeza que, 40 anos depois, o brilho é o mesmo, só que agora ou já não vemos bem ao perto, ou nem ao perto nem ao longe. De resto, estamos iguais!!!


6 comentários:

Anónimo disse...

Uma capacidade de análise ímpar, uma memória extraordinária…Incrível, como sempre!😅😘

José Luis Silva disse...

Quem é este anónimo que diz coisas tão acertadas e verdadeiras?!

Anónimo disse...

Não aparece o nome? Está mal feito!! Assinado: Miguel

Anónimo disse...

Quem será realmente ???😂 Mas concordo com a seu comentário sagaz, voto nele e ainda acrescento... Perspicaz, com o habitual sentido de humor, alguém que está de bem com a vida ☺️. Espero ter acertado Ginho 😉. Obrigada pela inigualável partilha 😘

Anónimo disse...

Assinado Teresa 😉

José Luis Silva disse...

Ainda bem que estas duas anónimas têm uma extraordinária capacidade de análise e uma inteligência superior, que reconhece o génio onde ele repousa. Graças a Deus!