No mês de Outubro do ano da graça
de 1984, era Mário Soares primeiro-ministro do governo do Bloco Central,
Ramalho Eanes o Presidente da República, e faltava ainda quase um ano para Portugal
assinar o Tratado de Adesão à Comunidade Económica Europeia, vinte e tal
rapazes e raparigas, quase ainda meninos e meninas, cheios de esperança no
futuro e alegria de viver, encontraram-se no Complexo do Castelo, em Braga,
para dar inicio ao seu percurso como estudantes do Curso de Relações
Internacionais, ramo Cultural e Político, na Universidade do Minho. Não
sabemos como terá sido com outros cursos e com outros estudantes, mas, no nosso
caso, foi amor à primeira vista.
40 anos depois, conforme tínhamos
decidido no encontro do ano passado, em que comemoramos 35 anos da nossa
licenciatura, voltamos a encontrar-nos, para celebrarmos mais uma vez a nossa
amizade, e a alegria que sentimos cada vez que estamos juntos. Fónix, até me
vieram lágrimajaujolhos (como se diz com o sotaque de Braga)!!!
Para cumprir o preceito quase religioso
que estes momentos já assumem, o encontro foi na Brasileira, às 19h00. Alguns tentaram
destruir antecipadamente o ambiente de alegria e concórdia, com risco de
levarem ao cancelamento do evento, perguntando ao organizador onde seria o
encontro, a que horas e até, absurdo dos absurdos, onde seria o jantar. Este, mostrando
a cepa de que é feito, não se deixou abalar, respondendo secamente à Cristina,
Raúl, e Angelina, que era no Brasileira, às 19h000 e o jantar seria num
restaurante. Que seja a última vez que me fazem essa pergunta pois na próxima
podem correr risco de vida!
Num dia bonito de sol e
temperatura primaveril, o Ginho e o Carneiro foram os primeiros a chegar, com
15 minutos de antecedência, tendo aproveitado o tempo para admirar a
arquitetura do centro de Braga ainda com luz solar, já que os encontros
anteriores, nos últimos anos, têm sido em novembro, quando às 19h00 já é noite
fechada. A Filomena chegou logo depois, seguindo-se o Jorge e a Beta, que
estranhamente ainda são um casal, a Cristina, a Miguel e a Angelina, a grande
surpresa deste encontro, pois já não aparecia praí há 30 anos, e por fim o
Raúl, que já nem teve tempo de se sentar, pois estava na hora de andar para o
restaurante. Antes, porém, tiramos uma foto de grupo, em frente às galerias do
“Castelo”, que foi a nossa base durante os 4 anos do Curso. Uma turista
espanhola, tornada voluntária à força, foi a fotógrafa, no que se revelou uma escolha
desastrosa pois das 2 fotos, ambas desfocadas, só se aproveitou uma e mal. Não
haja dúvida que de Espanha nem bom vento, nem bom casamento, nem boas fotos.
Coño!!!
Apesar de não ser essa a
intenção, por coincidência, em dia de jogo da seleção de Portugal, o
restaurante escolhido para o jantar, o Diana, na rua com o nome mais bonito de
todas as de Braga, a rua Afonso Henriques, estava decorado com camisolas de
futebolistas portugueses, sendo a que coroava a nossa mesa, exatamente a do
CR7, assinada pelo próprio, pelo que o Ginho se colocou imediatamente no lugar
debaixo dela, para que não restassem dúvidas de quem é o GOAT deste grupo.
Ainda fomos dando uma espreitadela ao jogo que estava a dar na televisão, e
que, para não destoar da chiqueza do restaurante, estava dentro de uma moldura
dourada.
Curiosamente, a mesa dividiu-se em
duas: do lado esquerdo todos quiseram peixe, do direito todos quiseram carne, e
o Jorge, que estava numa das cabeceiras, armado em fino e especial de corrida,
pediu bacalhau, que, como sabemos, não é carne nem peixe. O vinho da casa,
tanto o branco como o tinto, era excelente, pelo que todos ficaram logo muito
animados, já que no Brasileira, sinal dos tempos, ninguém pediu álcool, tendo
as escolhas variado entre café, água, sprite e cola zero (mariquices!). A
Angelina, apesar dos anos de ausência, não se mostrou inibida, tendo tentado
dirigir o trabalho dos empregados de mesa e as doses recomendadas de cada prato,
insistindo para que não nos trouxessem muita comida, que nos fazia mal e podia
engordar, e até para que não substituíssem os pratos depois das entradas, que
não era preciso, que estavam ainda limpos. Foi bem-sucedida no primeiro caso,
pois no final comemos praticamente tudo o que trouxeram para a mesa, o que quer
dizer que alguém pode ter ficado com fome, mas não conseguiu os seus intentos
no segundo caso, pois todos tivemos direito a novos pratos lavadinhos. Na sobremesa,
a unanimidade foi ainda maior, com a maioria a pedir pudim abade de priscos, o
Raúl mousse de maracujá, e o Jorge a teimar em ser diferente, pedindo já nem
sei o quê, que não sou obrigado a decorar tudo ao pormenor, que a minha vida
não é isto e eu tenho muitas outras coisas em que pensar. A Angelina não quis
sobremesa, que disse que já estava cheia e comer muito faz mal.
Durante o jantar a Angelina foi
de opinião que a nossa forma de contacto, através do Facebook, não é a mais
eficiente e que um grupo no WhatsApp seria muito melhor, pois é mais direto, rápido
e funcional. O Ginho, que está sempre pronto a apoiar e adotar as boas ideias,
tratou de imediato de criar o grupo, que entrou em funcionamento ainda durante
o jantar (fica assim reposta a verdade sobre de quem foi a ideia de criar o
grupo, ouviste ó Beta?!).
Quando saímos, caía uma chuva
miudinha (não tenho a certeza se não tinha já parado, mas esta frase fica muito gira), e as lágrimas de felicidade e emoção que nos faziam brilhar os
olhos deixavam a certeza que, 40 anos depois, o brilho é o mesmo, só que agora
ou já não vemos bem ao perto, ou nem ao perto nem ao longe. De resto, estamos
iguais!!!










6 comentários:
Uma capacidade de análise ímpar, uma memória extraordinária…Incrível, como sempre!😅😘
Quem é este anónimo que diz coisas tão acertadas e verdadeiras?!
Não aparece o nome? Está mal feito!! Assinado: Miguel
Quem será realmente ???😂 Mas concordo com a seu comentário sagaz, voto nele e ainda acrescento... Perspicaz, com o habitual sentido de humor, alguém que está de bem com a vida ☺️. Espero ter acertado Ginho 😉. Obrigada pela inigualável partilha 😘
Assinado Teresa 😉
Ainda bem que estas duas anónimas têm uma extraordinária capacidade de análise e uma inteligência superior, que reconhece o génio onde ele repousa. Graças a Deus!
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